Acordo UE-Mercosul pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil
No caso dos chocolates, o acordo pode ampliar a presença de marcas premium
09/01/2026 às 15:56
Escrito por: Benito Rosa Site Conceito / Créditos Paula Salati, g1
Como o acordo vai impactar o preço do vinho
Países europeus aprovaram acordo de forma provisória nesta sexta-feira (9). Caso o tratado entre em vigor, imposto de importação do vinho será zerado entre 8 a 12 anos, e do chocolate entre 10 a 15 anos.
09/01/2026 08h36 Atualizado há uma hora
Acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pode reduzir o preço dos vinhos europeus e ampliar a variedade de rótulos disponíveis no Brasil.
No caso dos chocolates, o acordo pode ampliar a presença de marcas premium que hoje não estão no mercado brasileiro. Mas isso não significa que elas chegarão ao país com preços acessíveis.
Atualmente, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, que fazem parte do Mercosul, pagam uma taxa de 27% para importar vinhos da Europa.
Caso o acordo entre em vigor, essa taxa será zerada entre 8 e 12 anos, a depender do produto, para os quatro países.
Já as importações de chocolate, hoje axadas em 20%, terão dois prazos: uma parte dos produtos terá tarifa zero em 10 anos e a outra, em 15 anos.
Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado provisoriamente pelos países europeus nesta sexta-feira (9), pode baratear o preço dos vinhos europeus e ampliar a variedade de rótulos disponíveis no Brasil no longo prazo, avaliam especialistas.
No caso dos chocolates, a redução do imposto de importação pode ampliar a presença de marcas premium que hoje não estão no mercado brasileiro. Mas isso não significa que elas chegarão ao país com preços acessíveis, diz Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV.
O acordo entre os dois blocos ainda não está em vigor. A formalização dos votos da UE ainda depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil). Só depois desse processo, o acordo deve ser assinado.
Atualmente, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - países que fazem parte do Mercosul - pagam uma taxa de 27% para importar vinhos da Europa.
Caso o acordo entre em vigor, essa taxa será zerada entre 8 a 12 anos, a depender do produto, disse o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) ao g1.
Já as importações de chocolate, hoje taxadas em 20%, terão dois prazos: uma parte dos produtos terá tarifa zero em 10 anos e a outra, em 15 anos.
Acordo UE-Mercosul: o que está em jogo para o agro brasileiro
O g1 perguntou ao governo quais tipos de vinhos e chocolates se enquadram em cada um desses prazos de redução tarifária, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
O acordo também prevê tarifa zero para a importação de azeite de oliva da União Europeia. No entanto, desde março deste ano, o governo brasileiro já isentou o produto do imposto de importação.
Veja a seguir:
Como o acordo vai impactar o preço do vinho
Por que o vinho europeu pode baratear?
Diferentemente do Brasil, onde a produção de vinho é pequena, a Europa concentra os maiores produtores globais, como Itália, França, Espanha, respectivamente, segundo a International Organisation of Vine and Wine (OIV).
É por isso que, no continente, é possível encontrar "vinhos muito bons por dois, três, quatro euros", diz Kanter, da FGV.
No entanto, o que desestimula a compra pelo Brasil atualmente é justamente a alta taxa de importação.
"Com as tarifas atuais, é melhor você importar um vinho de 15 euros do que de cinco. Por quê? Porque a tarifa do imposto acaba igualando todos eles em uma faixa semelhante de preço e o cliente brasileiro que compra vinho da Europa já está disposto a pagar mais caro por ele", diz Kanter.
Ele afirma, no entanto, que a redução gradual da taxa vai estimular as empresas brasileiras a diversificarem as suas compras e a apostar em vinhos europeus de menor preço.
"Eu acredito que o consumidor brasileiro vai ser beneficiado. Ele vai passar a ter acesso a uma oferta muito maior de vinhos de qualidade média, a preços extremamente competitivos, muito mais do que você encontra hoje no mercado", ressalta.
Consumidor brasileiro pode ter acesso a vinhos europeus mais baratos e a mais rótulos, caso acordo entre em vigor. %u2014 Foto: Lefteris Kallergis/Unplahs
"Hoje, para você ter um preço competitivo, você compra do Chile ou da Argentina - principalmente do Chile porque o peso argentino subiu de novo", comenta o professor.
Esses dois países sul-americanos têm um volume de produção de vinho bem maior que o do Brasil. E é por isso que os rótulos chilenos e argentinos são, em geral, mais em conta que os nacionais no mercado brasileiro, diz Kanter.
Com o tempo, ele acredita que os vinhos europeus sigam a mesma tendência, no Brasil, observada hoje nos rótulos chilenos e argentinos.
O professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer, concorda com a avaliação de Kanter e aposta que o brasileiro "vai tomar vinho mais barato", principalmente pelo aumento da concorrência entre mais países pelo mercado nacional.
Os dois especialistas destacam que essa diminuição de preço não será imediata e deve acontecer gradualmente, após o acordo entrar em vigor.
O economista Marcos Troyjo, que liderou as negociações do acordo entre 2019 e 2020, afirma que, como a tarifa levará anos para ser zerada, os produtores de vinho do Brasil %u2014 hoje concentrados no Rio Grande do Sul %u2014 terão tempo para se adaptar.
"Alguém pode dizer: 'poxa, mas vai ter muita competição do vinho europeu'. Mas, na realidade, quando você tem uma um acordo desse, os consumidores passam a tomar mais vinho, você aumenta o número de fornecedores de garrafas, de rótulos, de rolhas", diz Troyjo.
"Aumenta também o número de vagas de emprego para garçons, para somelliers, ou seja, você dá um choque de expansão setorial", completou.
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